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Relato sobre Process Work na Colômbia

 

Por Luiza Helena Frota e Raul Monteiro*

Nossa ida à Colômbia foi inevitável, pois não poderíamos perder o primeiro Seminário na América do Sul dado por Arnold e Amy Mindell. Este foi, por sua vez, o ponta pé inicial de uma formação intensiva e profunda em Trabalho Orientado pelo Processo ou Trabalho Processivo, como o denominamos no Brasil.

Esta formação, com duração de 2 anos, é a que sonhamos para implantar aqui, em nosso país. Ela conta com módulos de 5 dias, videoconferências, trabalhos em pequenos grupos, sessões de terapia individual, além de um projeto prático, que reflete o aprendizado e a orientação individual de cada participante.

O seminário de Bogotá, na Universidade Xavieriana, mostrou que para ser um facilitador(a) eficaz é necessário mais do que apenas a ciência. É preciso também fundamentalmente um toque de arte, que é aquele aspecto imprevisível que nos ocorre como um raio, um flash, um insight.

Depois de vários exercícios de integração da nossa ciência (o que sabemos) com nossa arte (como somos em essência) o seminário culminou com um Fórum Aberto, cujo tema escolhido por consenso dentre mais de 10, foi o processo de paz na Colômbia.​

Em um Fórum Aberto, as partes em conflitos aparecem como papéis. Os principais papéis foram, naturalmente: o governo e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), embora logo começassem a emergir alguns papéis fantasmas, ​papéis citados mas ausentes, nestas negociações: as vítimas, os camponeses, as famílias, os cidadãos comuns... Então os conflitos se corporificaram entre acusações e defesas bem fortes e muitas intensas emoções. Ou pontos quentes (hotspots), como chamamos.

No entanto, o ponto de aceitação (coolspot), e resolvedor das tensões, ocorreu quando o papel fantasma do medo surgiu, através de um participante que assumiu a sua condição homossexual. [Na foto, deitado e protegido]

Neste momento, houve uma grande emoção coletiva e os vários “papéis” em confronto se aquietaram, numa paz momentânea que demonstrou, na prática, a possibilidade de um entendimento e acordo. O Fórum Aberto foi então encerrado num clima de alívio e esperança.

Isso tudo aconteceu no dia 12. No dia 13, passamos o dia com um Xamã colombiano...

Quando viajávamos de volta ao Brasil, no dia 14, surgiu a notícia que o governo colombiano voltou a bombardear a frente guerrilheira. Conforme informou o governo, a ação seria uma retaliação por um ataque com mortes de militares. Por outro lado, segundo um negociador das Farc em Cuba, porque o governo continua, de forma intransigente, a fazer operações militares contra uma guerrilha em trégua unilateral.

Como não há como julgar versões sem verificar os fatos, podemos apenas lamentar e responsabilizar / creditar este aparente retrocesso (numa saída negociada) como resultado da falta que fazem aqueles papéis ainda não representados nas negociações que já duram 2 anos em Cuba, e que se manifestaram no nosso Fórum Aberto.

Esperança

Voltando ao dia 12, após o grande Fórum Aberto e, para permitir a expressão de tod@s @s os 160 participantes, houve 28 fóruns com 5 a 6 participantes. Cada subgrupo escolheu o tema e o(a) facilitador(a), que incentivou o diálogo entre os papéis, presentes e fantasmas, que se apresentaram.

O nosso grupo, com mais quatro pessoas da Colômbia além de nós, sorteou uma colombiana como facilitadora e a polaridade que ela trouxe – Blablablá x Distanciamento – como tema.

Depois de confronto irado entre os defensores do acordo de paz (o blablablá) e os distantes, emergiu o papel fantasma do cidadão que, num intenso diálogo com os demais, conseguiu unir a todos menos um – o papel da desesperança, que representado por uma afro-colombiana permaneceu irredutível, mesmo quando o grupo inteiro expressou que aceitava a sua posição e esperaria por ela.

O ponto de aceitação (coolspot) ocorreu quando Luiza, emocionada, compartilhou a experiência de como se sentiu sozinha e sem esperança ao amanhecer numa cidade estranha - Bogotá, sem falar a língua e sem apoio. E, como tudo mudou ao perguntar a um estranho o que ele estava comendo no café da manhã. O estranho a orientou em tudo que ela precisava e a conduziu, mostrando uma Bogotá invisível aos estrangeiros.

Sua emoção provocou lágrimas em tod@s e a afro-colombiana a abraçou, formando tod@s um só grupo, emocionado e coeso. Amy Mindell, que circulava entre os grupos, também participou da emoção e do desfecho deste nosso pequeno-grande grupo.

E assim se deu o reencontro com nossos grandes mestres, criadores do Trabalho Orientado pelo Processo, ou Processivo, como o nomeamos no Brasil. Um reencontro que se somou a um encontro com a Colômbia, que através​ da liderança​ de Carol Zahner, está criando a primeira certificação em Trabalho Processivo da América do Sul.

Nossos contatos na Colômbia nos animaram a rever nosso sonho de uma formação no Brasil bem mais próximo e bem mais viável.
 

Veja também o Evento Internacional que nós promovemos aqui.

*Luiza Helena Frota e Raul Monteiro são diretores do Instituto Janus e estiveram presentes em Conferência Internacional na Colômbia
 

COLOMBIA E BRASIL

Muito bom esse relato. Mostra o potencial do Trabalho Processivo e do Instituto Janus nessa jornada. Quem sabe este sonho que vocês a tanto tempo acalentam e investem, não esteja se tornando realidade?

Agradeço a avaliação e,

Agradeço a avaliação e, também percebo nossos sonhos tornando-se realidade consensual.

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