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CASAIS - Comunicação e suas armadilhas

Estruturas de Comunicação1

 

Qualquer unidade humana: pessoa, casal ou grupo, pode ser entendida não só como a soma de todas as partes individuais e seus processos, como também a interação entre essas partes. Podemos até imaginar o ser humano como um campo cujas partes intera­gem entre si e com os outros.

Geralmente explicamos o comportamento de pessoas, casais e grupos pelo princípio da causa e efeito no aqui e agora, não é mesmo? Inclusive, a maior parte do pensamento psicológico baseia-se nesse paradigma.

De outro ponto de vista, a interação entre partes ou pessoas é considerada como a mani­festação do campo, ou seja, de um padrão geral que envolve e influencia tudo sem ser percebido.

Essa perspectiva é particularmente útil quando se tem pela frente situações nas quais é difícil ou impossível determinar o(a) deflagrador(a) de uma interação. Segundo este mo­delo, não se atribui culpa, responsabilidade ou origem “apenas” a um ou outro membros do casal; ao invés disso, a ênfase recai sobre a situação geral ou governante do campo onde se encontram.

A necessidade ou utilidade deste terceiro ponto de vista é inevitável porque sempre que ocorre um briga, cada uma das partes costuma insistir que está certo. E estar certo, na melhor das hipóteses, é um julgamento, que não é e não pode substituir o processo vivo e permanente que ocorre entre as pessoas

O ponto de vista centrado na pessoa relaciona o problema de um casal aos sinais emiti­dos por uma certa pessoa. Por exemplo, no caso de um homem que diz alguma coisa a respeito de sua esposa: esta orientação individual considera o que ele diz como um fato, mas também pensa que a mensagem pode ser uma descrição dele mesmo. Pode ser uma “projeção.”

Do ponto de vista da comunicação, a projeção lembra um emissor enviando continuamen­te a mesma mensagem, mesmo quando o pretenso receptor diz que já a recebeu. Diante do fato de ele se repetir, é justo concluir que, em algum lugar, de algum modo, alguém não recebeu a mensagem.

Se prestarmos atenção, podemos observar que está enviando duas mensagens simultâ­neas. Uma é a mensagem primária, aquela que pretende enviar, o conteúdo. A outra é a mensagem secundária, enviada através de sinais não intencionais, que a própria pessoa não percebe, enquanto transmite a primária.

Sinais, mensagens ou processos primário e secundário, são termos que descrevem a es­trutura da comunicação ou interação humana.

Para entendermos adequadamente a estrutura de comunicação vale a pena conhecer a contribuição de Jung2, que ampliou a ideia original de Freud para o inconsciente.

Os estudos do inconsciente de Jung indicaram que qualquer figura inconsciente que apa­recesse num sonho poderia perturbar os relacionamentos, enquanto permanecesse in­consciente.

Uma dica que podemos te dar a partir disso é que, se as pessoas não te entendem, consi­dere a possibilidade de uma de tuas figuras oníricas estar transmitindo informações per­turbadoras porque tu simplesmente não a reconhece nem a aprecia o suficiente,

O termo “consciente” e “inconsciente” tem utilidade no trabalho individual, mas precisam de refinamento para aplicá-los ao comportamento de casais e grupos.

Consideremos uma discussão qualquer típica de casal. Um grita e o outro rosna. O motivo pode ser o mais concreto mas a a gritaria e a rabugice são mensagens secundárias que exigem uma consciência maior.

Chamamos de “processo primário” os conteúdos, ou sinais, que pretendiam enviar. A ra­zão de os processos primários serem inconscientes é que, embora ambos os parceiros saibam do que estão falando, não podem parar a discussão nem controlá-la.

Já a batalha latente entre a raiva e a rabugice, as informações sub-reptícias, não intencio­nais, chamamos de “processo secundário.” Material ainda mais difícil de alcançar pois, se ainda podem admitir o motivo da discussão, são incapazes (no início) de admitir a ira e o mau-humor por detrás.

No Trabalho Processivo, o termo consciência se refere à percepção consciente e incosci­ência, em geral, significa ausência de percepção consciente dos processos primários e secundário.

Trabalho centrado no casal

Quando estamos trabalhando com duas pessoas, lidamos com seis processos: os pro­cessos primário e secundário de cada uma delas e os processos primário e secundário da relação.

Por isso, o trabalho com um casal pode, num momento, significar a ênfase numa das duas pessoas, enquanto que, no momento seguinte, significa focalizar os processos pri­mário e secundário do casal em si.

A descoberta de sinais, sonhos e mitos é um passo no caminho da descoberta das estruturas de comunicação e na criação de instrumentos que dê às pessoas rela­ções tão ricas, contínuas e fluidas quanto se possa imaginar.

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Comentários e avaliação

Participante 1:

Este curso é como um processo de melhoria que as grandes empresas realizam constantemente e nós não.

 

Participante 2:

Foi interessante pela primeira vez discutir um tema problemático como este sem me zangar.

 

 

1Texto baseado no livro: O Corpo Onírico nos Relacionamentos de Arnold Mindell (Summus)

2Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço criador da Psicologia Analítica, inicialmente discípulo de Freud.

 

O curso é uma oportunidade

O curso é uma oportunidade ímpar de tomar consciência dos processos e, assim, melhorar a convivência com o outro. Parabéns pela preciosa ajuda aos casais!

Foi muito significativo para

Foi muito significativo para nós o resultado do primeiro módulo do nosso curso para casais. Os comentários finais dos participantes reforçaram a importância de continuarmos nessa direção.

Primeiro módulo

As avaliações dos participantes estão no final deste texto que preparamos para o primeiro módulo - Comunicação e suas Armadilhas

Próximo módulo: Conflitos e tensões familiares

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